Na revista Alternative Press deste mês, aparece série de matérias sobre bandas que gravaram discos e que acabaram por descartar todo o material para começar um novo. O Panic! At The Disco, antiga banda de Ryan e Jon, aparecem na edição. Ryan Ross e Rob Matthes, o produtor do disco, dão detalhes de como as canções soavam. Também foi revelado o título do disco, que ele seria conceitual e a história que ele contaria.
PANIC! AT THE DISCO – CRICKET & CLOVER (2007)
Depois do Panic! At The Disco ter ganhado na loteria emo em 2005, o quarteto de Las Vegas estava certo de misturar coisas de forma grandiosa para o seu novo disco. Mas o quão grande? Para começar, eles não estavam tão certos de que queriam usar
instrumentos de verdade. “Spencer [Smith, bateria] me disse que queria
fazer uma bateria híbrida com vidro, caixa de ovo e madeirite,” lembra
Rob Matthes, que iria co-produzir o projeto. Matthes também foi pego
imediatamente com as obsessões musicais do guitarrista Ryan Ross na
época. “Ryan estava ouvindo a trilha sonora dos filmes de Hitchcock do
Bernard Hermann, Danny Elfman, e essas coisas malucas,” lembra ele. “O
que eu amei era a criatividade na guitarra e as texturas únicas que a
música deles tinha. Mas o Ryan ouviu os arranjos e as cordas que eu
compunha e dizia “Não, aumenta o contrafagote. Aumenta as coisas
esquisitas que você compôs; as guitarras que vão para o inferno!”
“Eu não acho que a gente realmente tentou fazer um disco que soasse
diferente,” explica Ross em uma entrevista separada. “Mas nós tocamos
aproxidamente uns 400 shows daquele primeiro disco, e provavelmente
estávamos muito de saco cheio daquelas músicas. Achávamos que tínhamos
nos tornados músicos muito melhores durante os anos e queríamos provar
isso.”
A banda se mudou para uma cabana nas montanhas de Nevada em 2007 com
um pensamento mais experimental enquanto começavam a escrever canções
para o segundo lançamento, um álbum conceitual sobre conto de fadas no
estilo Disney chamado Cricket and Clover. Como o principal
letrista e compositor do grupo, Ross não só escreveu a história – um
conto de amor sobre os personagens do título – como também compôs
arranjos musicais extremamente não convencionais para acompanhar as
letras psicodélicas. “A estrutura das músicas eram bizarras,” diz
Matthes. “Não tinham refrões, apenas partes que não se repetiam. E eu
disse a eles: ‘O único problema disso é que é tudo ambigüo.’ Eu adoro
experimentação, mas era demais”.
Quando chegou a hora de gravar o disco, a banda se estranhou com Kevin Augunas, co-produtor de Cricket And Clover.
“Tinha muita pressão quando trabalhamos com Kevin,” lembra Ross. “Não
tenho nada de ruim a dizer dele, no entanto. Acho que ele estava sendo
pressionado pela gravadora e nossos agentes para que terminássemos o
disco. Não tinha um prazo de entrega, mas ele estava nos forçando a
terminar as canções. Se dependesse da gente, acho que teríamos composto
para sempre e nunca terminaríamos.”
Depois que a banda decidiu recomeçar por volta do inverno de 2007,
Matthes pediu para ouvir algo novo em uma semana. A música que ele
recebeu foi “Nine In The Afternoon” e as duas partes decidiram trabalhar
em um novo material, que eventualmente virou Pretty.Odd. de
2008. Algumas das canções do disco (notávelmente “Behind the Sea”)
levaram elelmentos das sessões na cabine, mas até hoje, apenas uma
canção de Cricket foi lançada: “Nearly Witches (Ever Since We Met…)” no disco Vices & Virtues,
de 2011. “Não existe um estoque de rejeitos de obra de arte,” diz
Matthes com uma pitada de arrependimento. “Usamos uma parte da ideia no Pretty.Odd., mas não existe um santo graal de fitas escondido no porão de alguém. Eu gostaria que existisse.”
“Eu não tenho nada,” diz Ross. “Todos aqueles meus computadores se
foram faz tempo. Eu nem tenho os cadernos com as letras. Eu fucei nas
minhas coisas para achar alguma coisa, mas não estão aqui. Se alguém
tiver, eu adoraria ouvir.”